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despeito

Não sei se é medo ou despeito  Se é vontade de vc entrar por aquela passagem Ou medo de vc vir e me encher com suas palavras cruéis  Mas sei Há eu sei A culpa não é só minha de pressionar a paciência  De me encher até explodir  E te explodir por encher Mas por um acaso penso que nós não nos suportariamos em causo nenhum Quem dera um compromisso firmado Aqueles de anel no dedo Ah mais quem dera  Vc entrar por aquela porta e reconhecer não ser o que queríamos ser  E daí haveria uma mudança  Mas acho que vc espera o mesmo de mim Talvez eu seja o problema de não sermos  Difícil de dizer  Sério ouço até tua cuspida naquela passagem angustiante Aquela que vc dá no equilíbrio Mas me angustio por saber que na verdade  A culpa não é sua Nem minha É porque realmente tentamos  Há! como tentamos  Ouço até seus passos vindo E me angústia a possibilidade de conversar  Mas eu queria ouvir seus passos de verdade Que na verdade é só quando...

O vento

As vezes o vento avoa as folhas grandes As vezes o vento não é mais vento As vezes Só as vezes Aqui na varandinha da casa do Jô As vezes ele vem andando na varandinha nu  O meu preto  As vezes ele vem pra cima e o vento sopra As vezes ele só para Durante a tarde as telhas da Lage avermelha e bate uma nostalgia  E vai escurecendo e os postes de luz encadeiam Desejo derrubar as luzes artificias pra ver as estrelas  Desejo que a lua rosa os detenha Mas que nada O vento ainda suave  E a falta dele quando decide abafar Ele veio e me beijou no pescoço com o dentes metálicos tampando o sorriso O meu preto nu Olho a máscara estraçalhada do tempo Pendurada no varao E desejo que o vento a balance Pra desabafar As folhas grandes coçam me expulsando Imagino como pode sua raiz existir sem terra Do lado da varandinha Se nutre dela mesmo Enquanto não tem espaço pras folhas que caem Sem nutrientes da terra  Ele balança os dreads sentado me olhando O meu preto  E o ven...

a seleção

 a seleção Estávamos todos empolgados para a seleção! Os que tinham mais talentos conseguiria sair do aperreio financeiro,  apesar de que seria apenas salário de estagiário. Era grande a fila de miseráveis intelectuais. Era uma seleção sem sentido pra dar conta de alunos deficientes. Seleção de pessoas baratas e desesperadas, sem talento praquilo, mas a fila era extensa. Eu não tinha nenhuma esperança, mas irradiava empolgação Já irradiada de quem tinha currículo. Estávamos todos empolgados para a seleção! Éramos a turma de amigos racialmente representados Três negres brasileires e uma branca brasileira Só uma de pele retinta, a Raimunda Raimunda tinha a cor do reggae estampada no corpo E era a do currículo mais farto do tema Ela já era olhada com vitória. Eu e meu amigo, de pele roubada, nos olhávamos com satisfação em esperança às duas. A branca, Clara, já tinha uma graduação, mas nenhuma formação na área da seleção Mas esbanjava confiança e clareza. Estávamos todos empolgad...

Meu 23 chegou!

Meu 23 chegou! Existe um enigma sobre o número 23.  O número da desgraça! Diz que é relacionado a diversas tragédias e eu sempre achei que o 23 da minha vida seria um momento de descobertas espirituais e a chance d'eu me conectar com o cósmico do universo.  Fiquei várias vezes ansiosa pra esse dia chegar e eu fazer várias rezas e ele finalmente chegou.  A questão é que já nem acredito nessa teoria e o 23 da minha vida veio em meio a uma pandemia.  Não cósmico ou espiritual, mas trágico do mesmo jeito! O 23 que chegou no carnaval e o carnaval não chegou nele, porque seria cruel.  Meu 23 chegou querendo tudo, egoísta como o estou conhecendo.  Imaturo que eu não esperava e mais desequilibrado que o meu 18 explorador.  O 23 que chegou exigindo uma vida que o prometi desde uma teoria ridícula. O 23 que implorava por a família quase um american pie mal feito que construí até os dois patinhos na lagoa e que só conheceu a família que eu tenho de verdade. ...

Lembranças espacias

O tempo da saudade acabou Evaporou-se no universo culpado Sugado O que sobrou foram as lembramças que surgem como um objeto espacial, Que deixou as dúvidas,  As teorias extraterrestres As belezas Você só confundiu as duas cousas e parou no tempo Mas o tempo não parou E as saudades foram consumidas por outras saudades Como experiências de vários outros primeiros beijos Mas eu ainda guardo um desenho seu Ilustrado por mim em um momento de paixão E já fiz bastante sucesso com um poema seu Riscado por mim Acho que foi isso que me autoajudou a deixar o tempo fazer seu trabalho O de levar a saudade e filtrar as lembranças... Como lembranças espaciais!

A Lua

Imagem
A lua se acinzentou-se em inseguranças Vestiu-se toda nos traumas da terra Pegou pra si sentimentos humanos Por assistir a humanidade Por vestir nuvens cinzentas Por vestir medos de vidas passadas A lua se imaginou humana por um instate E teve certeza de sua humanidade poluída Agora solitária de inseguranças A lua vestia nuvens que pareciam meias E meias ideias de lua em um meio inseguro Ela trocaria seu brilho pra não mais sentir Sentimentos inexistentes pra uma lua Ela pousaria na terra e esmagaria a humanidade Mas seus sentimentos a impedia Trocaria todos os olhares e holofotes pra não sentir solidão Mas nunca pediu pra ser lua sentida Apenas lua Trocou mais uma nuvem de meias Meias, apenas meias Meias ideias Meios pensamentos Nenhum movimento voluntário A lua limitada pela gravidade das inseguranças humanas pegada pra si Cansada de meias, resolveu congelar sua existência em fases subdividas nas intensidades naturais do tempo Quem sabe o tempo ...

Noite seca

De cara no vinho da serra gaúcha O Trontobel Ouvino Intimidade e tentano sentir o vinho  aquelas né... Tentano sentir o cheiro do alecrim de Liniker Peticasno um amendoim, até parece luxo Talvez seja... Pego a garrafa fria do tempo e o vinho desce feito café gelado, esquentano o coração de alguém de alguém... e na mesa o cinzeiro dança com as folhas da Santa kaya Cheio das cutjias dos cigarros que pairavam feito defuntos distorcidos de podridão. Levanto em busca da lua nova, pincelada no céu como tinta neon na janela Levano a xícara transparente que substitui a taça  Com o vinho dançano, mal sabe que desce mal. Engulo um gole que enche minha boca e desce arrepiano todos os pelos possíveis e desce em meu queixo como sangue suave... interrompida pelo desejo de fogo que se encontrava no quarto Na cana ardente ao invés de uva ardentemente suave Sentida pela mão que me interrompeu preencheno toda a redondeza do meu peito, esquentano tudo, do meio pra cima voltano pro tudo. A noite ...